diálogo – ônibus 9h da manhã


–Oi! Tudo bem, moça?
–É 50.
— O que é 50?
— O boquete.
–Ah, tá, mas eu nem perguntei nada. Qual seu nome?
–Stefany.
–Não, qual seu nome mesmo?
— Já falei que é Stefany.
— Tem certeza?
— É Maria Lúcia, moço.
–Hmm, gosto mais desse. Você é prostituta, Maria Lúcia?
–Sou puta. Prostituta é uma palavra longa demais, complicada demais, e eu não gosto. Sou puta doa a quem doer. Era a palavra que meu pai mais odiava. Ainda bem que morreu e não tem que me ouvir falando. Pode de chamar de Stefany. Vai querer ou não?
–Querer o quê?
–O boquete. Vai querer?
–Não, obrigado. São 9 da manhã, um pouco cedo né?
— Ué, mas você não está chegando no seu trabalho às 9 da manhã?
–Sim, mas na verdade eu entro às 10h.
–Então, às 9 da manhã eu to chegando no meu também.
–Mas o meu trabalho não tem a ver com sexo.
–Azar o seu, moço. Sorte a minha não ser CLT. Tô mais para ser PJ, faço meus horários, não devo nada a ninguém e ninguém me deve nada. Só não consigo ter férias, mas já acostumei. Meu ponto é o próximo. Tem certeza que não quer, faço desconto.
–Quero o quê?
–O boquete.
–Fica pra outro dia, Maria Lúcia, obrigada. Bom trabalho pra você, viu?
–Tá bom então. Obrigada, moço.
–Obrigada você.


Gio Fiorillo

Como é ser livre?

Depois de tanto tempo, eu me esqueci como é ser livre. Ou qual a sensação de pegar o metrô. Será que ainda sei carregar o bilhete? Parece algo que esqueci como se faz. Parece que não reconheço o mundo, e talvez não reconheça mesmo. Talvez ele tenha mudado de forma, talvez as ruas estejam diferentes. Ainda mais agora. Ou será que de tanto não ver essas ruas e paisagens que via todos os dias, elas vão me soar mais bonitas? Ou vão me amedrontar como um sonho ruim?
Me esqueci como é sair para um bar, tomar uma cerveja gelada e dar risada. Esqueci como é encontrar os amigos. E eu falo das emoções mesmo, porque a lembrança com certeza ainda habita em mim. E é estranho porque quando você não lembra, você não sente falta, você se acostuma a não sentir aquilo. Parece que a distância aumenta cada vez mais.
Falar por mensagens o tempo todo já é inviável, as ligações por vídeo já tiveram o hype e o declínio. O silêncio é melhor do que o desconforto de ver a pessoa tão “perto” e ainda assim sem poder sair de casa para encontrar e comer um hambúrguer. As pessoas que tenho perto de mim não são essas que te abraçam e te tocam o tempo todo. No entanto, elas tem outras maneiras de fazê-lo. Com as palavras, com o olhar, com as risadas. E isso o virtual não consegue captar, até porque ficamos numa espécie de vidro que nos torna mais ou menos petrificados. Nossas emoções são curtas, o entusiasmo dura pouco tempo. Então finalmente chega esse momento em que a distância emocional supera a física e tudo entra numa espécie de emoção densa e nublada. Você lentamente esquece o som da risada de alguém, esquece qual era sua expressão de reprovação. Esquece como era colocar os fones e sair por aí para arejar a cabeça. Esquece como é se sentir pronto para o mundo. E tudo se torna apenas uma rotina contagiante, uma repetição de acordar, trabalhar, comer qualquer coisa e ir dormir. Não existe muito mais do que isso. Já foi a cota de assistir filmes antigos, da adolescência, de ouvir música até dormir, de passar a noite em claro, de ler dez livros. Nada é tão mais legal assim, tudo tem as mesmas cores e formatos todos os dias. A cabeça se condicionou a prestar atenção nos detalhes da casa, a decorar todos os cantos. Depois de tanto tempo, eu me esqueci como é ser livre.

Gio Fiorillo

Apto 64 – parte 1

Em tempos de pandemia, estar em casa é algo comum à todos. Ou deveria ser. Quando se trabalha, grande parte do dia fica tomado por reuniões no zoom, no skype, no meeting. São várias por dia, batendo todo tipo de assunto. E ainda assim, erros acontecem. Mas ok, nada demais. Além dos “calls” como chamam no mundo corporativo, onde tudo aparentemente soa melhor e mais chique no inglês, existem as planilhas, os almoços na correria, a tentativa de limpar a casa e colocar roupa pra lavar. O dia passa voando e o tempo dentro de casa, parece passar mais rápido do que nos tempos de idas diárias ao escritório. Por esses motivos e outros que desconheço, o prédio no qual moro fica no maior silêncio grande parte do dia. Parece que estão todos quietos. Alguns trabalham, outros dormem até tarde, não sobra tempo pra sair na janela e dar uma olhada nos apartamentos vizinhos. No entanto, a situação não é a mesma se você está desempregado em tempos de pandemia. Sim, é o meu caso. Todas as tarefas de casa já foram feitas, as roupas estão lavadas e secando, outras já dobradas em cima da cama. As plantas estão aguadas, o chão está limpo, as mesas brilham, a comida está feita, um doce pra comer de tarde também. Em tempos de uma pandemia mortal, a limpeza se torna nosso maior aliado e também um passatempo. Parece que quanto mais você limpa o ambiente em que vive, mais imune está. É, é o que pensamos.
Depois de ler alguns livros teóricos, outros de ficção, assistido muita coisa do catálogo de streaming, a cabeça começa a ficar vazia. Nunca mudei desse condomínio, vivo aqui por cerca de 22 anos e 10 meses. O condomínio é composto de duas torres. Uma de frente para outra. Estamos a pouquíssimos metros do vizinho de frente, talvez uns 20m ou 30m, nunca parei pra contar e ninguém nunca me contou. Apenas faço uma aproximação. E você deve imaginar que com essa distância, a casa dos outros é bem visível. Vejo as crianças do quarto andar brincando. São duas irmãs que moram com o pai e a mãe. São duas fofas. Minha cachorra que não gosta delas, late toda vez que as escuta dando risadinhas. O andar em direção ao meu está vazio de um lado, e do outro abriga um casal na meia idade. Acordam tarde e vão dormir mais tarde ainda. No meu almoço, vejo o homem tomando o café da manhã. É boa a vida do aposentado que, diferente de um desempregado, tem dinheiro caindo na conta todo mês. Ambos ficam em casa sem ter o que fazer, mas enfim. Esse dia chega pra todos nós. Ou melhor, para quem de fato chegar nesse dia. Pois bem, tem dias e noites que ninguém coloca a cara na janela. O silêncio ecoa pelas paredes beges do prédio. Vejo a menina do quarto andar sentada na mesinha, imagino que esteja trabalhando. Será que eu deveria fazer uma pipoca? Primeiro coloco água nas plantas e o vizinho do sétimo está fumando na sacada. Sem camisa. Engraçado como homens héteros se sentem nessa necessidade de ficar sem camisa mesmo quando a temperatura está baixa. Ele não me vê porque estou atrás da cortina, mas deve saber que estou lá. Já deve ter me visto saindo do banho. Entro no quarto de toalhas com a janela aberta e quando noto o maldito está mais uma vez fumando na sacada. Ele tem uma família digamos comum. É casado, não parece ser muito velho, tem dois filhos que são capetinhas. Aparentemente normal, né? Mas algo não me soa bem no seu tom de voz e nem nos gritos do filho mais novo.
Outro dia os cachorros fizeram a festa, não pararam de latir por toda a tarde. Meu entretenimento esteve garantido. Gosto de ver os cães na janela, na varanda, enfiando o focinho entre a grade e latindo um pro outro. Acho que eles se comunicam dessa forma. Minha cachorra não gosta dos outros daqui. Nem de nenhum. O negócio dela é com seres humanos. Adora um cafuné atrás da orelha, lambidas na cara e pular até alguém pega-la no colo.
E talvez você esteja se perguntando se eu não tenho nada melhor a fazer da minha vida. E eu respondo, claro que tenho. Ou melhor, teria se não fosse a pandemia. Se o momento fosse outro, com toda certeza estaria trabalhando que nem doida e planejando uma viagem pra Europa. Guardando dinheiro e fazendo pesquisas de hotéis e pequenos restaurantes na Itália. Talvez encontrasse um italiano que se apaixonaria por mim, me ensinaria o idioma e me pedisse em casamento. Ok, pode rir de mim. Patética, eu sei. Mas preciso contar o motivo de estar aqui. E eu digo aqui mesmo, não em casa, não sentada na mesa, não esperando meu chá esfriar. Digo aqui escrevendo isso.
Tudo começou no começo do ano, quando decidi que estava cansada do meu emprego. Trabalhava numa empresa têxtil, há cerca de 15 minutos de casa. Comia no refeitório, tinha 30 minutos para dormir e tinha amigas incríveis. Acontece que minha ambição pedia mais. Na verdade, minha ganância.
Comecei a procurar por empregos, mas sinceramente não fazia a menor ideia do que fazer da vida. Um ex-namorado sugeriu uma vaga de emprego na agência que ele trabalhava, perguntou se alguma amiga poderia se interessar. Bom, sim, tinha uma amiga que podia se interessar. Acontece que eu também me interessei pela vaga. Alguma coisa dentro de mim me disse que poderia ser minha chance, poderia ser aquilo que eu estava buscando. Mandei meu currículo para ele, e comecei a imaginar como seria. Essa agência era extremamente longe da minha casa e o horário de trabalho ia até às 20h. Minha ansiedade borbulhava dentro de mim e antes mesmo de ir pra entrevista, já tinha um plano de como fazer pra voltar pra casa em segurança.
Chegou a noite da entrevista, eu estava nervosa mas confiante, vestindo uma calça vermelha. Fiz uma dinâmica estranha, meu ex entrou na sala com outros funcionários e eu tirei uma carta que dizia “Celebre suas conquistas”. Elas entenderam que eu estava dentro e eu me senti dentro. Não entrei logo após. Pandemia começou, São Paulo começou a fechar, as empresas estavam trabalhando de casa. Depois de 4 anos trabalhando sem férias, eu estava em casa, fazendo um horário bem sossegado na tal empresa têxtil. Recebi até férias de duas semanas. Dormi, comi, vi TV e voltei a dormir. Foi ótimo. E então me chamaram para começar nessa nova agência. Decidi tingir o cabelo de azul, sentia que precisava mudar para aquela nova oportunidade. Comprei um computador novo já que não tinha um sobrando para usar. Separei minha caderneta e comecei a pesquisar e estudar sobre o cliente no qual eu atenderia. O primeiro dia foi estranho, eu trabalhando em frente o computador e entrando em várias reuniões sem conhecer ninguém. Não sabia quem eram meus colegas, não conhecia o cliente pessoalmente. Meu coração bombeava forte demais. Nos próximos 12 dias que seguiram eu não consegui comer, dormir, e nas horas vagas me sentia um lixo, chorava e me sentia total e completamente inútil. A chefe “principal” falava o quanto ela queria me ver atuando em várias áreas, o quão versátil eu poderia ser, e mencionou em aumentar meu salário depois do primeiro mês. Minha ganância apenas berrou dentro de mim e tomou lugar do senso. Falei “ok, vamos seguir dessa forma e vemos”. E vimos muitas olheiras, lágrimas, desespero na varanda da agência, contando sobre minha ansiedade para pessoas que tinha acabado de conhecer. No 13° dia liguei para uma das chefes aos prantos. Não conseguia falar, me sentia cada vez menor. A chefe principal tentou me persuadir e eu simplesmente disse “Obrigada, mas não.” E foi assim que fiquei desempregada. Ah, e logo depois disso a amizade que eu achei que tinha com meu ex começou a se fragmentar lentamente. E ele sempre foi uma das pessoas que mais me entendeu, e mais do que isso, que mais me desafiou.
Imagine isso. Em 13 dias fiquei desempregada no meio de uma pandemia. Em 13 dias larguei um salário de R$2.500, 00 porque surtei, porque tive a pior crise de ansiedade da minha vida. Tudo virou do avesso no que pareceu ser um milésimo de segundo. Me senti completamente desamparada, desprotegida e entrei num processo de auto-sabotagem. Questionei o mundo, a mim mesma, minha profissão, a internet, meus amigos, meus antigos amores, meu passado, meu presente e meu futuro. Passei dias e dias no escuro.

Continua…

Gio Fiorillo

o universo é um dominó

o universo é mesmo um dominó.
todas as nossas atitudes vão refletir em algo, seja no presente ou no futuro.
tem coisas que acontecem que parecem não ter o menor sentido.
nos ferem, nos tiram do nosso prumo.
mas acredite, as respostas aparecem com o tempo.
confie na sua intuição que pulsa dentro de você.

algumas pessoas fazem sentido por apenas alguns minutos, alguns dias.
outras pessoas continuam fazendo sentindo e parte da sua vida por mais tempo do que você poderia imaginar.
todos, sem exceção, nos ensinam coisas, o que ser e o que não ser.
nos dão o exemplo com suas atitudes

o universo faz as peças caírem na hora certa.

Gio Fiorillo

autosuficiente

— O que no passado você sente falta?
— Ah, acho que no passado eu era uma pessoa mais segura de mim mesma, ou pelo menos não pensava tanto nisso. E eu gostava de me sentir amada por alguém. Sinto falta de um cafuné, um abrigo, um carinho.
— Entendo, é, faz sentido. Mas acho que você precisa ser um pouco mais autosuficiente. No fim das contas você não precisa de ninguém e se você se bastar, nem vai perceber a falta dessas coisas.
— Parece uma boa, e como você faz pra ser assim?
— Não consigo explicar, é o tipo de coisa que você simplesmente sente dentro de você.

Gio Fiorillo

amor(es)

amores vem e vão, como as estações
como um dia que amanhece frio e esquenta pela tarde
amores chegam e vão
como numa estação de trem
chegadas e partidas, encontros e desencontros
amores por vezes, destinados ou não
amores ficam
amores que passam férias, que vem em festas
amores que passam o fim de semana
amores que ficam em algum lugar dentro de você
pra sempre
amores estranhos, confusos e sem rumo
amores alucinantes, soturnos e efervescentes
amores mornos, fracos e insensíveis
amores que fazem cócegas na barriga
amores que perfuram o seu interior
amores que só o são enquanto não se tornam dores.

Gio Fiorillo


águas turbulentas

Outro dia sonhei que estava dentro de um navio em movimento. Ele corria sob as águas agitadas, jogando água para cima. Eu andava por ele, meio torta, meio caindo pelas paredes, tentando me segurar. Fui para a parte de trás e me deparei com um jardim, folhas vivas e coloridas, flores por todos os lados. Mas eu estava fugindo. Não sei do quê. Não sei para onde. Mas estava fugindo como sempre fujo das pessoas, das águas turbulentas que vivem me cercando. No fim do sonho, não sei dizer como me desenvencilhei da tontura e da água salgada. Não sei como acabei dentro de um teatro lotado, me escondendo pelos cantos para ninguém me ver. Depois não sei como fui parar num jardim elegante, com pessoas bem vestidas, tomando bebidas alcoólicas. Estranho como o sonho copia a realidade. Não que eu queira me enfiar em lugares lotados ou entrar num navio aparentemente desgovernado. Acontece que eu simplesmente me sinto total e completamente fora do controle de mim.

Gio Fiorillo

estagnada

A grande problemática da indecisão é ficar estagnado.

Contemplo as paredes, esperando que me deem um sinal.
Contemplo a rua, esperando que eu receba um sinal.
Rezo antes de dormir pedindo um sinal.
Ouço uma música e espero o sinal ali.
Abro o horóscopo e dependendo do que disser, eu acredito.

Nesses momentos, a sensação é de estar entrando numa montanha-russa, sentindo o frio na barriga, a empolgação e o medo.
Você sabe que seus pés vão ficar pendurados pra um monte de nada.
Você sabe que pode dar uma merda das grandes.
Você sabe que vai sentir um medo involuntário.
Mas você quer ir. Quer tentar mais uma vez.

Mas aí lembro que estou estagnada, estacionada, esperando o tal sinal. O tal milagre.

Tenho questionado a mim, ao mundo e as pessoas por tempo demais.
Faço isso mais vezes do que bebo água.
Questiono sua lealdade, sua verdade, sua honestidade, suas atitudes.
Questiono minha lealdade, minha verdade, minhas mentiras e minhas loucuras.

Sabe, pior que enganar os outros, é enganar a si próprio.
É julgar seu próprio trabalho, se criticar o tempo todo.
Se colocar como inferior, como incapaz.
Ou se sabotar, colocar pregos no chão pra si mesmo passar por cima.
Eu faço isso todo santo dia.

Posso te garantir que é extremamente cansativo, extremamente doloroso se sentir assim o tempo todo.
Quero a todo custo, de qualquer forma mudar isso.
Me transformar, me garantir, me sentir.
Confiar em quem eu sou e quem quero ser.

Gio Fiorillo

“Oi.” – disse a Ansiedade.

“Oi.” – disse a Ansiedade. “Saudades de você. Faz tempo que estamos distantes, queria só te falar umas coisinhas, pode ser?”


“Claro, acho que pode, mas só se for rápido.”

“Coisa breve… Sabe esses projetos todos que você está começando? Pois é, legais até, mas você acha que vai dar certo? Quer dizer, tanta gente fazendo isso já né? Maquiagem, quem não faz isso? Produzir conteúdo também tem bastante fazendo fazendo. E sem os equipamentos caríssimos, vai ter uma hora que vai cair a qualidade do vídeo né? Sem emprego fixo como você vai fazer? Em breve a grana da terapia acaba também. Como você vai fazer? Já está procurando um emprego novo? Deveria. Atualiza o seu curriculo, muda um pouco as cores, tá brega. Você precisa se recompor pra um novo emprego, não dá pra ter outro surto né, vai passar essa vergonha? Ah, e sabe aquela menina do instagram que seu amigo mandou? Linda ela, né? Maquiada, sexy. Você tenta né, às vezes dá certo. Maquiada você é bonitinha. Tem uma meia dúzia que gosta de você até. Isso é bom. Mas será que as amizades vão durar? Mesmo antes da pandemia, com qual frequência você os via? Eles conhecem sua família? Conhecem você de verdade, suas choradeiras? E quando você mandou aquele áudio explicando algum assunto e no fim nem sabia o que estava falando. Parece que as coisas fogem da sua cabeça, se perdem no espaço. Mas no geral, continue tentando. Quem sabe não nos vemos com mais frequência agora, né? 

Gio Fiorillo

pensando alto

Pelo jeito o melhor é se contentar com o descontentamento. Com a vontade de sumir, de ir pra longe, pra onde ninguém me conhece. Vontade de ir andando sem rumo, pegar um avião sem saber pra onde estou indo. Aprender um idioma no país de origem e não através de uma tela. A gente faz coisas e nem as percebe. Porque eu me preocupo tanto com as pessoas verem ou não o que coloco nas redes? Porque faz diferença pra mim? Porque quando me sinto assim não consigo fazer nada melhor, nada mais produtivo, nada mais assertivo? Fico caçando empregos aleatórios. Arrumando o currículo milhões de vezes. Olho pro espelho e minutos depois já me sinto incomodada.

Gio Fiorillo